6 de ago. de 2007

Estou Cansado

Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.

Um comentário:

emilia alarcón disse...

Me encanta Fernando Pessoa, y en especial su heterónimo Álvaro de Campos. Es mi subpersonalidad favorita de Pessoa.

Lástima no tener un buen conocimiento de la lengua portuguesa para poder disfrutarlo en versión original. Es una pena porque todos los portugueses, o la mayoría de ellos, hablan y entienden bien el español, y en cambio en España no sucede a la recíproca.

En mi página Cráteres cuelgo bastantes poemas de Pessoa. ¿Os apetece echar un vistazo?